Hipnoterapia

História e Evolução

Acreditamos que para compreender de que forma a Hipnose pode apresentar recursos terapêuticos válidos e eficazes é necessário conhecer um pouco da sua história e funcionamento.

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Para falarmos de Hipnose, talvez tivéssemos de recuar aos primórdios da Humanidade. Talvez começássemos pelo Egito, onde foram encontrados textos antigos que provam que a Hipnose já era utilizada pelos sacerdotes para aliviar as dores, ou talvez pela China antiga recuando até XVIII a.c. onde eram utilizadas técnicas com o objectivo de levar as pessoas a estados de transe para estabelecer aproximação com os seus antepassados. Ou quem sabe, talvez começássemos pela antiga Grécia, onde existia um aclamada templo em Epidauros onde os sacerdotes induziam os crentes a um “sono de cura” (semelhante a induções da Hipnose Clássica). De facto, são muitos os pontos do globo onde existem referencias da utilização milenar das técnicas de Hipnose.

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Na idade média, Avicena (980-1037) médico e filósofo Iraniano, defendia que a imaginação era capaz de curar um conjunto de enfermidades alargado através da auto-sugestão. Existem registos escritos que descrevem esta abordagem medieval, nomeadamente o “Livro das Curas”, um tratado pioneiro sobre a saúde mental, onde estão presentes as opiniões do autor acerca da auto-sugestão.

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Entre 1734 e 1815, viveu o psiquiatra austríaco Frans Anton Mesmer, que defendia a existência de um fluido ou energia universal que criava uma interligação entre os corpos e os astros, sendo captado e emitido pelo ferro magnético. Foi o criador do conceito de “magnetismo humano”, que de acordo com a visão do autor, poderia ser transmitido entre as pessoas. Em 1795 o mesmo autor, inaugurou os estudos científicos sobre Hipnose, caindo no entanto em descrédito uns anos mais tarde, quando uma comissão científica se opôs às suas ideias.

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No séc. XIX o médico Inglês James Braid defendeu que a Hipnose era uma espécie de sono do sistema nervoso, e foi o próprio a batizar esta abordagem terapêutica com este nome. A palavra Hipnose provém do grego hypnos que significa deus grego do sono, no entanto isto não significa que em estado de hipnose o sujeito esteja a “dormir”, na verdade, foi descoberto mais tarde que no estado hipnótico há imensa atividade cerebral semelhante à fase REM do sono, existindo no entanto distinções psicofisiológicos entre ambos.

Com efeito Liébault e Bernheim confluíram com a ideia de que o transe era um estado psicológico normal do ser humano e que era potencializado pela sugestão. Assim e juntamente com Coué, foram os criadores da escola de Nancy em França, sendo esta escola a precursora das bases modernas da Hipnose. A sua visão apontava no sentido de que o fenômeno de mudança acontecia de forma não consciente, através da intervenção da vontade e que a sugestão operava somente quando encontrava um eco interior (auto-sugestão). Na mesma época surgiu a escola de Salpêtrie (1825-1899) com Charcot, que afirmava que a Hipnose era um estado patológico de dissociação. Foi com Charcot que Freud fez os seus estudos na área da Hipnose, e embora tenha antevisto um enorme potencial na técnica, conclui erroneamente que o transe hipnótico só acontecia quando relacionado com estados patológicos.

Do ponto de vista neuro-fisiológico, o primeiro investigador a abordar a Hipnose foi Ivan Pavlov (1849-1936). Utilizando as suas pesquisas behavioristas, descobriu que a Hipnose é uma resposta natural do sistema nervoso central, no sentido de proteger o cérebro de algumas situações em que há excesso de estímulos externos.

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No final do séc. XX, o médico americano Milton H. Erickson (1901-1980) percebeu a natureza multidimensional do transe hipnótico. Foi considerado o pai da Hipnose moderna, utilizando as bases e conceitos da escola de Nacy e revolucionando a organização das sessões de tratamento psicoterapêutico.

Após a análise dos primórdios da Hipnose, é perceptível que esta sempre esteve vinculada à busca da cura e é neste sentido que a ciência médica atual pesquisa não só as suas potencialidades como também as respostas de como e porquê o cérebro processa o estado hipnótico.

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Assim, são cada vez mais comuns os estudos científicos sobre Hipnose, as suas utilizações e o funcionamento dos fenómenos a ela associados. A clínica Dra. Rosa Basto assume uma postura de apoio e incentivo a investigações que procurem, credibilizem e difundam a Hipnose, para que seja perceptível por todos as capacidades e transformações que a mesma propicia.