5 fatores que impedem o fumador de se libertar do tabaco e como ultrapassá-los

São vários os fatores que impedem os fumadores a deixarem o cigarro, mas hoje irei falar-lhe dos 5 principais que levam os fumadores a continuar agarrados ao vício. Um deles trata-se da biologia, um mecanismo por detrás de tudo isso. Irei explicar-lhe em breves linhas como o cérebro funciona e como responde perante estímulos de lógica e de prazer, e ainda como eu faço nas minhas sessões para libertar as pessoas desse estado.


Se este assunto lhe interessa, seja porque é um fumador e está farto de se sentir dominado, ou conhece alguém nessa condição ou até porque é terapeuta e as pessoas são a sua grande paixão, acompanhe-me neste artigo e deixe ficar os seus comentários e experiências.

Como disse são vários os fatores que servem de grilhões para os fumadores continuarem a sê-lo, estes são os que identifico como os que mais dificultam a libertação ao tabaco.

5 fatores que impedem o fumador de se libertar do tabaco e como ultrapassá-los

1. Procura de afirmação e necessidade de ser aceite pelo grupo

O maior eu diria que é a tendência que a pessoa tem desde muito jovem para querer afirmar-se, querer ter um grupo e socializar. Na maior parte das vezes o vício do tabaco começa muito cedo, na adolescência normalmente as pessoas procuram com maior veemência o sentido de pertença com o objetivo de se sentirem importantes.

2. Necessidade que a pessoa tem em procurar relaxamento, calma e tranquilidade

Sempre que a pessoa inspira e “trava” o cigarro, o fumo fica retido por algum período de tempo e só depois o expira, no fundo, o que ela está a fazer é uma profunda e lenta inspiração e expiração o que faz com que o corpo fique, naturalmente, mais relaxado.

3. Fuga à dor ou a busca pelo prazer

Esta é a premissa basilar do funcionamento do seu cérebro. Assim, estamos em constante movimento desde que este nos leve a fugir da dor ou a encontrar o prazer. É precisamente por isso que, biologicamente, as adições são tão difíceis de libertar. Antes de mais, permita-me que lhe fale um pouco sobre Dopamina. Trata-se de um dos neurotransmissores mais famosos do nosso sistema nervoso e é comumente conhecida como o neurotransmissor do prazer. Ora, no caso do tabaco, a dependência é criada essencialmente pela nicotina, que por sua vez estimula a produção de dopamina, ou seja, mais dopamina, mais sensação de prazer. Por outro lado, quando um fumador deixa de fumar, deixa também de haver a mesma quantidade de dopamina o que leva a uma maior produção de noradrenalina que, por sua vez, potencia a fuga à dor por falta de prazer e que leva à procura do mesmo repetindo a experiência de fumar. E assim estamos perante um clássico caso de “pescadinha de rabo na boca”.

4. O papel do cigarro na vida do fumador

O cigarro funciona como um amigo que está sempre presente em qualquer momento e em qualquer lugar, basta ir à bolsa e pegar num. Quando se está sozinho, quando se tem companhias, pois a âncora (o condicionamento) vem detrás quando na adolescência se tinha um grupo. O cigarro represente essa componente de companhia e para além disso, ainda vai preencher algum vazio que exista emocional, sempre que a pessoa pega num cigarro quando está perante um conflito, quando está com alguma irritação, quando está zangado, a primeira coisa que um fumador faz é afastar-se, pegar num cigarro e preencher com o fumo o vazio emocional. Na verdade isso nunca vai acontecer, o que vai acontecer, depois de fumar um cigarro e sabendo que lhe faz mal, é ter um sentimento de culpa que o conduz inevitavelmente a uma duplo vinculo, a uma dualidade de sentimentos: Por um lado desejo fumar, por outro sinto-me culpado.

5. A necessidade de ter um ritual

O nosso cérebro é extremamente otimizado e por isso evita ter o mesmo trabalho duas vezes, assim, a maior parte dos pensamentos são automatizados. Um ritual encerra em si toda uma experiência e tudo o que nela cabe emocionalmente. Que vai desde o momento em que se inicia até ao momento em que termina. Sempre que o fumador pega num cigarro, o cérebro tem gravado um programa como todos os fumadores têm que é o de tirar o cigarro do maço, a forma como segura no cigarro, a forma como a cinza é sacudida para o cinzeiro e todos aqueles hábitos sociais que o tabaco proporciona. Tendo essa ancora gravada, a pessoa vai precisar desse ritual, pois induz toda a experiência e emoções nela gravada. Então, especialmente perante situações de desgastes emocionais, tristezas, necessidade de preencher o vazio, seja por identidade, seja por afirmação, a pessoa irá recorrer ao seu ritual mais frequentemente.

5 fatores que impedem o fumador de se libertar do tabaco e como ultrapassá-los

É necessário começar a tratar! O que nós fazemos na psicoterapia, nomeadamente com o meu método de trabalho a Terapia Diamante®, com especial recurso a técnicas de hipnose clínica é, deixar programas novos para libertar a dissonância cognitiva, ou seja, para libertar o duplo vínculo que referi há pouco: “por um lado eu fumo e faz me mal, por outro eu gosto muito de fumar”. Para trabalharmos esse duplo vínculo, libertamos a pessoa da emoção que esta agarrada à causa que a levou a fumar. Ensinando-a a ter um novo comportamento saudável, porque uma vez desfeita a emoção que a leva-a a fumar, por um lado o antigo comportamento deixa de ter razão de ser e por outro ganha um novo comportamento substituto e condizente com a sua nova realidade. O cérebro não reconhece a verdade real da verdade imaginada, desta forma, permite-nos atribuir uma substituição prazerosa mas sem que seja nefasta para o organismo.

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica de Hipnose Clínica no programa “A Tarde É Sua”
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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