Ansiedade e a necessidade de controlar tudo à sua volta

A ansiedade está ligada a muitas palavras, assim como consequentemente a muitos estados, e a preocupação é sem dúvida uma delas. O que significa preocupação?


Se formos consultar o dicionário, preocupação representa inquietação do espírito; angústia; apreensão; pensamento dominante; ideia fixa; cisma, e são exatamente estes os efeitos na vida de quem é ansioso e se preocupa em demasia. Podemos afirmar que a preocupação é pré-ocupação, o que significa que, em muitos casos, o ansioso, ocupa a sua mente com cenários e pensamentos sobre situações que ainda não ocorreram, ou que só ocorreram na sua cabeça.

A preocupação tem um efeito de bola de neve; quanto mais preocupado e cismado com algo, estiver o ansioso, maior vai ser a sua necessidade de controlar todas as situações à sua volta, e quanto maior é o esforço de controlar, maior é a ansiedade. Porque não conseguimos ter absoluto controlo sobre tudo o que nos rodeia, e muitos dos cenários que projetamos na nossa mente, não são sequer reais, pré-ocupamos no nosso cérebro com inúmeras hipóteses, quase todas irrealistas.

Umas das características que identificam a forma de estar do ansioso e que está intimamente ligada à preocupação, é exatamente a criação destes cenários ou pensamentos, que enrodilham a mente e se tornam castradores no dia a dia, limitando as ações de quem lida com a ansiedade na primeira pessoa.

O ansioso tem dificuldade em desfrutar do presente, do momento, uma vez que a sua mente está sempre mais à frente no tempo e a viver dentro de um pensamento condicionado pela preocupação. A cabeça passa a ocupar-se de cenários negativos, e lutar para encontrar uma forma para dominar o que o rodeia, de policiar os seus comportamentos, e de controlar o que os outros irão fazer ou achar. Muitos «e se» começam a fazer parte da sua rotina, e em vez de encontrar paz e as respostas que tanto deseja, só irá achar mais dúvidas, mais incertezas e mais cenários apocalípticos.

Esta questão sobre o que os outros pensam ou agem tem uma enorme importância na vida de um ansioso que se debata em constante estado de preocupação. E esta importância ganha uma tal força, que a necessidade de aprovação passa a ocupar um lugar de destaque nos seus pensamentos. Existe uma firme sensação de julgamento aos olhos alheios, que em conjunto com o medo persistente de falhar e com a necessidade de aceitação, gera ainda mais ansiedade, desenvolve um estado de alerta constante, e provoca o pavor de não ter controlo sobre a vida, sobre si e sobre os outros.

Este tipo de situações de ansiedade, mesmo com uma origem mental, tem sintomas físicos bem reais, que foram somatizados, como taquicardia, suores, dificuldade em respirar, palpitações, entre outros.

Aliás, a parte física acaba por estar muito mais implicada na manifestação da ansiedade do que muitas vezes pensamos. Normalmente, associamos a ansiedade aos sintomas acima descritos, gerados pelo sistema nervoso parassimpático, quando não recebe os estímulos necessários, porém o ansioso sofre sempre de algum tipo de maleita ou dor, por exemplo o chamado nó na garganta, um desconforto no estômago ou uma dor persistente na zona das costas.

Dra. Rosa Basto

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