As suas expressões são o mapa das suas emoções

Já se deu conta da forma como expressa em palavras aquilo que sente ou pensa? Em terapia aprendi a escutar com muita atenção os pacientes, pois é maravilhosa a forma como podemos aceder aos sentimentos, crenças e até aos sintomas, apenas pela expressão oral dos problemas que acometem a vida daqueles que nos procuram.


A língua portuguesa, é extremamente rica. Com um léxico tão vasto, é perfeitamente compreensível que haja um conjunto de expressões comummente usadas na descrição de pensamentos e sentimentos.

Seguem-se alguns exemplos e seu significado:

  • “Ando à deriva”: sem rumo, perdido, desorientado, sem saber o que fazer.
  • “Tenho de agarrar com unhas e dentes”: sensação de ter de agir de forma extrema para não perder algo ou alguém.
  • “Pareço uma barata tonta”: sentir-se distraído, perdido, desorientado, sem saber o que fazer.
  • “Ando aos trancos e barrancos”: andar de forma desajeitada.
  • “Já arrumei sarna para me coçar”: arranjou problemas.
  • “Levei um banho de água fria”: desilusão ou quebra das expectativas que tinha face a alguém ou alguma situação.
  • “Ando sempre a bater na mesma tecla”: sentir que insiste no mesmo assunto.
  • “Caiu-me a ficha”: dar-se conta de algo por norma mais tardiamente.
  • “Tenho de dar o braço a torcer”: ter de deixar o orgulho de lado.
  • “Andei a engolir sapos toda a vida”: sentimento de que é constantemente levado a fazer algo contrariado, ser alvo de insultos ou acumular ressentimentos.
  • “Ando de cabeça quente”: estar muito irritado, nervoso.
  • “Estou com a corda ao pescoço”: Sentir-se sob ameaça, sob pressão ou com problemas financeiros.
  • “Sinto um aperto no coração”: estar angustiado.
  • “Eu já vou de pé atrás”: ir para as situações desconfiado.
  • Estou de mãos e pés atados”: sentir que não pode fazer nada.
  • “Meti os pés pelas mãos”: agir de forma desajeitada.
  • “Ando a pensar na morte da bezerra”: andar distraído.
  • “É como procurar uma agulha num palheiro”: tentar algo quase impossível.
  • “Ando com minhocas na cabeça”: Pensamentos sobre problemas que não existem ou para os quais não temos factos que os comprovem.
  • “Levei com um balde de água fria”: situação inesperada que transforma entusiasmo em desilusão.
  • “Ando sem eira nem beira”: destituído de tudo, sem destino.
  • “É areia a mais para o meu camião”: sentir que não está preparado para conquistar ou obter determinada coisa.
  • “É uma cruz que eu carrego”: situação na vida que está a ser penosa e da qual não se consegue libertar.

As suas expressões são o mapa das suas emoções

Se por um lado, a forma como expressamos os sentimentos e pensamentos dá ao terapeuta a possibilidade de aceder ao sistema de crenças do paciente, podendo ajudá-lo a ultrapassar as suas dificuldades, por outro lado, a manutenção da utilização dessas mesmas expressões, pode levar à somatização destes e ao sentimento de impotência para lidar com as situações do dia a dia. Como dizia J. Goethe, “O maior mal que pode suceder a um homem, é que ele comece a pensar malevolamente sobre si mesmo.”, por isso, tenha em atenção à forma como comunica as suas emoções, para que não sejam elas a tomar conta de si!

Sobre o autor

Dra. Joana Dolgner

Dra. Joana Dolgner

Psicóloga Clínica / Hipnoterapeuta na Clínica Dra. Rosa Basto


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