«É o início de uma nova vida e independência» – Medo de conduzir

O nome desta fobia faz com que esta pareça uma raridade mas, na verdade, é bastante comum. Quantas pessoas conhece que têm carta de condução mas não conduzem por medo? Ou quantas não têm a carta de condução por terem medo de conduzir? Há muitas mais pessoas a sofrerem com esta síndrome do que pode imaginar!


A amaxofobia é uma perturbação dentro dos quadros de ansiedade e que se traduz no medo irracional de conduzir um determinado veículo, porém existem variações: Há pessoas que apresentam o medo em percorrer determinados percursos, tais como autoestradas, pontes entre outros percursos limitados e, por incrível que possa parecer, algumas pessoas “apenas” revelam medo de ser passageiras por lhes ser inconcebível entrar num carro.

O caso clínico:

«É o início de uma nova vida e independência» - Medo de conduzir

Anabela sofreu maus tratos e viu um irmão morrer


Consequências

Costumo dizer que só se deve tratar aquilo que se manifeste como um impedimento para viver bem. Se não conduzir não for nada que o incomode então está tudo bem, pois de certo existem muitas pessoas que por opção e sob variadíssimas razões optaram por não conduzir. Mas uma coisa é optar por não utilizar carro ou conduzir, e outra bem diferente é ter medo. O medo só vai incrementar a baixa de autoestima, fazendo com que se sinta cada vez mais impotente face à sua vida. Uma vez ultrapassada uma fobia – medo excessivo de um objeto, circunstância ou situação específica – a pessoa sente-se empoderada, em pleno poder das suas capacidades para ultrapassar outras questões na sua vida.

«É o início de uma nova vida e independência» - Medo de conduzir

O processo terapêutico


Causas

Antes de falar sobre o que pode causar esta fobia, é importante ressalvar condicionantes a respeito das características de personalidade que podem privilegiar o desenvolvimento de estados fóbicos. Assim, é frequente que pessoas com esta perturbação se caracterizem por serem perfecionistas, exigentes consigo mesmas e com baixa de autoestima.

As causas propriamente ditas estão, por norma, associadas a eventos traumáticos quer seja de forma directa ou indirecta. Ter tido um acidente ou ter testemunhado um, é o mais frequente. Porém existem outras situações que podem desencadear o trauma, por exemplo, um instrutor demasiado rígido, alguém significativo que nunca conseguiu tirar a carta, ou alguém significativo que disse repetidamente que a pessoa em questão não iria conseguir, ter estado envolvido ou ter assistido a desentendimentos e/ou violência no trânsito, entre muitos outros episódios deste género.  Mas sob a lente do meu método de trabalho, procuro sempre ir mais além. Se sabemos, à partida, que uma pessoa que sofre desta perturbação é alguém perfeccionista e com baixa de autoestima, então porque é que há pessoas em que o trauma se traduz numa fobia e noutra pessoa, com outra história de vida e personalidade, não? E é precisamente aqui, na diferença que procuro a solução, trabalhando o que está para além do comportamento fóbico. O que motiva aquela pessoa em particular a manifestar a ansiedade desta forma e não de outra.

A nossa terapia

Como eu dizia, se sabemos à priori que uma pessoa que sofre desta perturbação é perfeccionista, então também sabemos que tem necessidade de controlo e por sua vez isso irá desencadear baixa de autoestima, numa busca constante para não desapontar os outros. Deste modo e à luz da Terapia Diamante® é necessário intercetar estes fatores com a história de vida e personalidade do paciente para ir no encalce da raiz do problema. No caso da Anabela em particular, o medo de conduzir estava associado a um trauma, ou seja, a um acidente de automóvel em que ela foi a condutora. Por isso, numa primeira fase foi sem dúvida importante, fazer um processo regressivo ao momento do acidente e libertar a carga emocional recalcada, no sentido do insight “afinal está tudo bem, não houve problema maior e comigo, assim como com os outros intervenientes”, o que levou ao registo de uma outra perspectiva sobre a antiga situação e que lhe impulsiona novas possibilidades no futuro face à condução.

«É o início de uma nova vida e independência» - Medo de conduzir

«Há um historial de falta de afeto»
Dra. Rosa Basto


Mas a insegurança e o medo propriamente dito, assentava em questões relacionadas com uma vida inteira marcada pela violência doméstica. Primeiro assistiu à mãe a passar por esses maus tratos e depois repetiu o padrão no seu próprio casamento. Estava na hora de se libertar dessa bagagem tão pesada, a raiva e a revolta. Um coração livre de revolta é um coração compassivo à dor alheia, capaz de compreender que quem agride os outros, muitas vezes foi agredido, que quem magoa os outros, muitas vezes está em sofrimento, e por isso é capaz de perdoar.

«É o início de uma nova vida e independência» – Medo de conduzir

Claro que nem todas as pessoas com esta fobia têm estes acontecimentos na sua história de vida, mas é necessário olhar e ver a pessoa que está por detrás do comportamento e ajudá-la a encontrar-se. Encontrar-se verdadeiramente, recolhendo um a um, todos os seus recursos internos e aprender a fazer uso deles. Isto é liberdade.

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica de Hipnose Clínica no programa “A Tarde É Sua”
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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