Medo e a nossa capacidade de imaginar cenários apocalíticos

Atualmente ouvimos falar muito em ansiedade e em medo, e ainda bem que assim acontece, uma vez que é essencial partilharmos o que nos inquieta para que possamos atingir um equilíbrio emocional e a tão desejada paz. Porém, é igualmente fundamental que entendamos as diferenças entre os dois conceitos.


A ansiedade está intrinsecamente ligada ao medo, contudo o medo pode existir sem despoletar situações de ansiedade. É o chamado medo real, que nos protege, estimula a agir, e resulta de uma reação natural ao sermos confrontados com uma situação de risco. Esta sensação de medo real tem um papel fulcral na nossa segurança e na nossa proteção, já que ao ganharmos a consciência do perigo que nos rodeia, adquirimos a capacidade de nos defendermos do mesmo.

Então onde entra a ansiedade neste cenário?

A ansiedade é estimulada pelo medo, mas do medo irreal, do medo que surge a partir de cenários fictícios que a nossa cabeça fabrica e que nos condiciona no dia a dia. Ou seja, a situação de perigo não é real, não se trata de um perigo iminente, mas sim uma criação da nossa imaginação perante a possibilidade de vivenciarmos futuros desagradáveis.

E como reage o nosso corpo a estes dois medos e à ansiedade resultante do medo irreal?

A nossa capacidade de imaginar cenários apocalíticos é tão forte e credível, que o nosso cérebro não consegue distinguir se o perigo é real ou imaginário, e passa para o nosso corpo um alerta para que este reaja ao medo, seja através da fuga ou da luta. Mesmo que o medo seja irreal, as reações físicas são bem verdadeiras, como suores, palpitações ou falta de ar, uma vez que corpo entra em estado de pavor, o que leva a uma aceleração do metabolismo.

Este medo irreal e a sua consequente ansiedade podem ocorrer em qualquer situação, mesmo quando estamos a vivenciar momento agradáveis e desejados. A nossa imaginação começa a projetar cenários negativos face ao que está a acontecer, e exponencia todos os pormenores negativos que podem ocorrer no futuro, gerando uma incapacidade de controlo dos mesmos.

O medo irreal não tem qualquer utilidade ou beneficio na vida de quem o sente, ao contrário do medo real que nos permite defender e controlar as situações de perigo.

A nossa imaginação começa a projetar cenários negativos face ao que está a acontecer, e exponencia todos os pormenores negativos que podem ocorrer no futuro, gerando uma incapacidade de controlo dos mesmos.

Uma vez que o medo irreal pode tornar-se um agente limitador na vida de quem o sente, e como nem sempre é fácil encontrar e identificar a sua causa, é essencial que as pessoas que passem por este tipo situações procurem ajuda para poder lidar com este tipo de episódios de forma a ganharem qualidade de vida. Não é porque as coisas acontecem desta forma que temos que viver com elas para sempre, há soluções e alternativas para viver uma vida mais calma, e entrar em modo alerta só quando realmente tem que ser.

Dra. Rosa Basto

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