«O meu maior medo era ficar dependente» – Claustrofobia

Lígia Moreira é enfermeira e desde muito nova que sofria de claustrofobia, não conseguia estar em espaços fechados: elevadores, casas de banho sem janelas. Conta que foi em pequena que descobriu que sofria deste medo, num contexto de brincadeira onde se escondeu por detrás de um armário e ficou petrificada.


A claustrofobia é um medo aterrador que uma pessoa tem quando se encontra num espaço fechado. Os sintomas de ansiedade e pânico excessivos acontecem sem que a pessoa possa ter controlo sobre si e a situação. Saiba mais sobre este distúrbio psicológico.

O caso clínico:

“Este tratamento dá-nos asas, reforços e mecanismos para ficarmos independentes”


Na primeira sessão, Lígia contou que se lembrava que desde criança que sofre do medo de estar em espaços fechados. Certo dia, quando tinha 8 anos de idade, estava a brincar com os primos e esconderam-se atrás de um armário. Nesse momento sentiu-se muito apertada e afligiu-se. A partir daí, os espaços apertados fizeram-lhe sempre muita confusão. Foi sempre uma menina bem-comportada e embora tivesse uma infância feliz era ansiosa e perfecionista. Teve uma infância em que nada lhe faltou, mas a sua mãe também era ansiosa e com um pensamento negativo. Embora tenha tido uma excelente mãe, assistiu a estados emocionais negativos. Cresceu e formou-se em Enfermagem, e hoje em dia trabalha como enfermeira obstetra. Devido à claustrofobia desenvolveu crises de pânico que a impediram de fazer muitas coisas de que gostava. Nunca andou de avião nem de teleférico, e todos os espaços fechados criavam-lhe terror. Estar e andar num elevador era impensável. Só de imaginar as portas a fecharem-se entrava em pânico. Estar numa casa de banho sem janelas e com a porta fechada à chave, mesmo que fosse por dentro, era impossível para ela.

Devido à claustrofobia desenvolveu crises de pânico que a impediram de fazer muitas coisas de que gostava.

Contou que no hospital, nas urgências, pedia sempre a colegas para levarem as parturientes para o bloco no elevador, porque devido ao seu problema não conseguia acompanhá-las. Embora muitas pessoas não soubessem do seu estado claustrofóbico, tinha de pedir a alguém para levar os doentes nos elevadores, pois nem acompanhada conseguia realizar esta tarefa. A claustrofobia acompanhada de pânico impediu-a de viajar e de ir com a família e os amigos a lugares maravilhosos. Os evitamentos eram uma constante na sua vida. Não conseguia ser totalmente feliz com este distúrbio.

O tratamento

Muitas vezes, as pessoas pensam que para se ter uma fobia é suposto ter acontecido algo grave. Mas não é bem assim, porque um evento na infância pode ser a causa de a criança se tornar um adulto fóbico. Foi o que aconteceu na vida de Lígia. Embora seja uma mulher muito inteligente, tem uma personalidade perfecionista que a leva a ser ansiosa e a não querer falhar. As pessoas que fazem tudo para não falhar “correm” sempre mais que os outros, já que nunca estão satisfeitas com elas próprias. Deixam de viver o presente e vivem no futuro.

As preocupações do que pode acontecer ocupam-lhes quase todo o espaço mental e isso desgasta. Esse desgaste faz com que entrem em estados cada vez mais ansiosos. Produzem mais adrenalina e esta, por sua vez, faz estragos. Muitas vezes, aparecem outros distúrbios, como depressões, fobias, problemas psicossomáticos, entre outros. Lígia desenvolveu uma fobia de estar em espaços fechados – claustrofobia acompanhada de ataques de pânico.

As pessoas que fazem tudo para não falhar “correm” sempre mais que os outros, já que nunca estão satisfeitas com elas próprias.

A primeira parte do tratamento consistiu em libertá-la do pânico e ensiná-la a ser mais tranquila. A comunicação interna também foi uma prioridade no tratamento, pois mesmo que concretizasse os seus objetivos, isso nunca era suficiente, uma vez que exigia muito dela própria. Aprender a aceitar o seu ritmo e a valorizar as suas conquistas foi o que mais precisámos de trabalhar.

Aprender a aceitar o seu ritmo e a valorizar as suas conquistas foi o que mais precisámos de trabalhar.


Lígia tinha muitas crenças limitantes e pensamento negativo aprendido e modelado por ter tido na infância o convívio com o pensamento negativo da mãe. Depois de lhe tratar o pânico, passámos ao tratamento dos espaços fechados e o elevador foi o primeiro espaço a ser resolvido com sucesso. Ao fim de seis sessões, Lígia já fazia várias coisas que antes a limitavam. Começou a ficar na casa de banho com a porta fechada, a andar em elevadores. Fizemos outras sessões e hoje sente-se mais segura, sendo que pretende andar de avião nas férias. A sua vida nunca mais foi a mesma, pois hoje em dia – quer no hospital, quer no dia a dia – não evita absolutamente nada. A cada dia que passa sente que deu mais um passo na sua segurança e confiança. Adeus claustrofobia e ataques de pânico!

Testemunho de Ligia Moreira

Tinha muita expectativa neste tratamento, porque estava no fim da linha. O cansaço de evitar tantas coisas na minha vida, devido a esta fobia fez-me pedir ajuda à Dra. Rosa. Era a minha última esperança para resolver este problema que me acompanhava há 45 anos.

«O meu maior medo era ficar dependente» - Claustrofobia

O meu maior medo era ficar dependente, mas este tratamento dá-nos asas, reforços e mecanismos para ficarmos independentes. A Dra. ensinou-me uma nova forma de pensar e de relativizar. Posso dizer que havia uma Lígia antes de conhecer a Dra. Rosa e uma nova Lígia depois de conhecer a Dra. Rosa. Hoje sinto-me uma mulher muito mais segura e confiante, e com vontade de viver todas as coisas que não vivi ao longo destes anos. Grata por tudo o que fez por mim!

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica de Hipnose Clínica no programa “A Tarde É Sua”
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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