Qual é a melhor estória para contar a quem sofre de depressão?

“A linguagem dos Contos de Fadas é uma linguagem que todos entendem, pois é a linguagem universal de toda a espécie humana, independentemente de idade, raça ou cultura.”

Marie-Louise Von Franz


Muitas vezes perguntam-me qual é a melhor história para contar a alguém com depressão, ansiedade ou que esteja a passar por um luto, por exemplo. E eu respondo sempre da mesma forma: o principal intuito da história, do conto, é o de transformar! É por isso que são tão poderosas e sublimes, estão em todo lado e podem ser contadas no dia a dia. Na verdade, as histórias não são sobre patologias, são sobre transformação.

Contos para todas as ocasiões

Recentemente recebi um e-mail de uma leitora que me emocionou bastante e que quero partilhar consigo. Tantas vezes temos um amigo triste, porque perdeu alguém que ama e ficamos simplesmente sem palavras, de braços vazios de abraços que já não consolam… Esta leitora escrevera perguntando-me se eu podia contar-lhe uma história que pudesse ajudar o Pedro (nome fictício), o seu filho, a superar uma perda, ele quase não saía de casa desde que a namorada terminara o relacionamento. Perguntei por ele, como era antes disso e quais eram os principais comportamentos que haviam mudado. A senhora respondeu dizendo que antes ele era alegre, extrovertido, brincalhão e que agora vestia-se de preto, que andava de mangas sempre para baixo tapando as mãos e que se fechava no quarto durante o tempo que estava em casa.

A riqueza dos contos está no facto de criarem imagens na mente de quem os recebe. Essas imagens servem para ilustrar situações de vida que, de modo geral, todos nós passamos. O simbolismo da linguagem dos contos retrata sempre um pouco de nós.

Qual é a melhor estória para contar a quem sofre de depressão?

Mesmo quando trata de vilões, bruxas ou vítimas que não gostamos de reconhecer. A verdade é que, por nos identificarmos com determinada personagem ou experiência, possibilitam a compreensão de conteúdos internos, tais como conflitos, permitindo que surjam novas possibilidades de soluções para determinado problema.

O simbolismo da linguagem dos contos retrata sempre um pouco de nós. Mesmo quando trata de vilões, bruxas ou vítimas que não gostamos de reconhecer.

As histórias fazem emergir o mundo dos arquétipos para o nosso dia a dia, mostrando que a verdadeira virtude está na aprendizagem que se retira das experiências que vivemos, sejam elas de momentos felizes ou de tristeza, de conflito ou sucesso, atribuindo robustez àquilo que constrói o “Eu” mais profundo.

Uma história a pensar em todos nós

Objetivo: O Pedro aceitar a decisão da ex-namorada e seguir com a sua vida permitindo-se ser feliz. Esta história é para o “Pedro” que existe dentro de cada um de nós:

Qual é a melhor estória para contar a quem sofre de depressão?

“Na mitologia Hindu, alguns deuses são caracterizados como meio-homem, meio-animal. Existe Ganesha (corpo de homem e cabeça de elefante), Hanuman (corpo de homem e rosto de macaco) e existe também o Pashupati – “O senhor dos animais”. Refere uma antiga lenda Hindu que havia um homem-lagarta e uma mulher-lagarta, e que eles viviam felizes e em harmonia, pois amavam-se muito. Mas certo dia aconteceu o inesperado. Sem que ninguém estivesse à espera, o homem-lagarta morreu. A mulher-lagarta, não suportando a perda do seu amado, ficou num verdadeiro desespero. Ela não aguentou a perda de quem tanto amava. Inicialmente, ficou triste com a vida, com a natureza e com os deuses. Ela precisava de respostas para o seu infortúnio, então enrolou-se no seu xaile negro e saiu pelo mundo fora: procurava saber porque é que o seu amado tinha que ter partido.

Ela iniciou a sua demanda, chorando e caminhando, chorando e caminhando pelo mundo fora. Ela chorava a todas as horas, dias, semanas e meses, lamentando-se do infortúnio e à procura de respostas. Andou muitos dias, meses e anos, mas como o mundo é redondo, depois de muito tempo de sofrimento, ela chegou exatamente ao ponto de partida. Só que agora ela estava um ser humano triste, sozinho e sem as respostas que procurava. Na realidade, nada lhe interessava, só sabia fechar-se no seu xaile negro e continuar chorando. O deus Pashupati, o senhor, não aguentava ver um ser a chorar daquela maneira, não queria ver tanto sofrimento naqueles que amava. Foi então que ele resolveu atuar. Assim, bateu as palmas e disse: ‘Mulher-lagarta, não foi para isso que te criei, já chega, basta de choro, quem tu procuras não morreu, mudou-se. Está na hora da mudança, pois tudo no mundo evolui. Então, como teu deus digo-te que está na hora da mudança para ti também. Escuta: eu quero que te desenroles desse xaile onde te procuras esconder e que vivas uma vida nova com as asas que te vou dar.’

E quando o deus Pashupati acabou de dizer isto, bateu as palmas e então o surpreendente aconteceu. A mulher-lagarta abriu o seu xaile e transformou-se numa linda borboleta que saiu voando para uma nova vida…”

Autor desconhecido

Sobre o autor

Dra. Ana Basto

Dra. Ana Basto
Directora Executiva Clinica Dra. Rosa Basto
Hipnoterapeuta pelo método Terapia Diamante®
Formadora em Storytelling e Contoterapia
Licenciada em Gestão e Administração de Marketing


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