Vale a pena: alimentar cada memória e cada emoção que lhe permita seguir em frente

No caminho da Vida, antes de sermos pais, fomos filhos, até mesmo os que ainda não são nem querem ser pais um dia. A Morte é, talvez, a única certeza que temos nesta vida e, para muitos, um tema de que não querem nem ouvir falar, nem pensar, como se nunca fosse acontecer.


A Partida

A morte, nos últimos tempos, tem vindo a ser excluída dos ambientes das famílias, das pessoas de forma quase que obrigatória! Pela própria história, pela cultura e pelas memórias de alguns, há uns anos quando um familiar morria, em casa ou no hospital, os seus corpos eram levados para as suas casas ou para um lugar a combinar, onde ocorria o velório. As famílias uniam-se, despediam-se e partilhavam a dor, as memorias e até a saudade que já sentiam, ainda com a presença física do seu querido.

Neste momento, a Morte é vista como algo que ocorre de preferência longe e distante dos nossos olhos, do nosso corpo, deixando o corpo, os sentimentos do outro distante, seja da sua família, dos seus amigos, das crianças, longe de todos e de tudo. Será que já alguém pensou neste momento de partida? Quem já perdeu sabe o que custa, o que dói, o que é sentir saudade de alguém sempre presente na sua vida, que até lhe deu o ser que é, os seus pais!

Muitas vezes é nesta hora que refletimos como foi a nossa vida, qual é a nossa origem, o que é que andamos cá a fazer, uma hora filhos, outra hora pais, outra hora amigos, outra hora simples conhecidos…

Na viagem da Vida, a sabedoria do ser é transcendente à morte, à Vida, nesta viagem que tem como objetivo a felicidade do ser humano, a felicidade de cada ser. Cada um de nós lembrar-se-á da criança que há dentro de si, do filho que foi, do pai que teve e recordará que somos todos parte do mesmo, seja através das atitudes que não queremos ter, mas temos, como os nossos pais tiveram connosco, seja pelo desejo eminente da procura de um mundo melhor, seja pelas memórias inesgotáveis de partilhas, enfim, seja pelo que seja.

O Amor

Somos seres perfeitamente imperfeitos, mas vale a pena pensar nisto! Vale a pena excluir as nossas crianças do conhecimento da morte? Vale a pena deixar só quem cuidou de nós de forma incondicional promovendo o amor e o bem-estar? Vale a pena correr nas horas de cada dia sem ter tempo para si e para quem amamos? Vale a pena sermos surpresos com a Morte?

Por isso, é muito mau, ficar remoendo o que foi dito ou não, o que se fez ou não, o que se quer ou não, trazendo remorsos inúteis e tão dolorosos para si. Vale a pena deixar partir quem amamos de forma tranquila, com recordações boas, com sorrisos, com sentimentos de um amor para toda a vida. Estou aqui e fico bem. O amor fica, o Amor acompanha quem parte. Vale a pena, alimentar cada memória, cada cheiro, cada momento, cada situação, cada emoção, cada som, cada cor, cada gesto que permite seguir em frente. O Amor de pais está sempre dentro de nós, é sempre parte de nós.

Pois é, é preciso ter maturidade para agradecer, compreender e aceitar tudo o que os nossos pais fizeram por nós. Muitas vezes é o tempo quem guia as verdades, extingue as dúvidas, consolida o que foi bom. Nesse momento, sabemos que não é a morte que separa os pais dos filhos, nem os filhos dos pais.

Ser pai é amar cada filho exatamente como ele é. É chorar escondido, para permanecer forte; é dizer não com o coração apertado; é lutar e fazer o que pode para ver o filho Feliz. Ser pai não é fácil, é falhar, é errar, é uma parte única do ser humano.  Ser filho é o reflexo do seu pai, seja pelo lado que seja, é uma continuidade impar, transgeracional.

Amor é o sentimento que une eternamente cada ser ao seu pai, cada pai ao seu filho. Somos o que somos pelos pais que tivemos. Somos uma semente simplesmente única que tem uma única origem.

Estamos juntos por si!

Sobre o autor

Dra. Mariana Pereira

Dra. Mariana Pereira

Hipnoterapeuta / Life Coach na Clínica Dra. Rosa Basto


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