Vida estagnada? Seja o autor da sua própria história

Este mês falo-vos dos quatro arquétipos “principais” que, segundo Carl Jung, modelam a personalidade e como são tão importantes para chegarmos ao nosso caminho da verdade, ou seja, para que o leitor possa “trabalhar” os arquétipos de referência e ser o autor da sua própria história.


Mas afinal o que são arquétipos?

Entende-se por arquétipos, as imagens primordiais, os modelos de algo, à semelhança das ideias platónicas. Por isso, é algo que existe a priori e que compõe uma espécie de base de dados pertencentes a determinada cultura e a que todos têm acesso, pois é como se se tratasse de uma herança comum que Jung denominou Inconsciente Coletivo. Os arquétipos encontram-se abundantemente nos mitos, personagens como A Mãe, O Lobo Mau, O Príncipe, O Herói, A Donzela, A Madrasta, e outros, encerram em si um denso conteúdo e ideias acerca do comportamento destas personagens e do que podemos esperar delas. Assim, automaticamente geram-se imagens carregadas de emoções que nos fazem refletir e, indeliberadamente, fazer insights. Poderia existir um qualquer número de arquétipos, já que se referem a temas universais, mas alguns assumem uma maior importância no desenvolvimento da personalidade e do comportamento.

“Assim, automaticamente geram-se imagens carregadas de emoções que nos fazem refletir e, indeliberadamente, fazer insights.”

Com efeito, Jung deu mais atenção aos seguintes: Persona, Anima ou Animus, Sombra e Self. Estes quatro estão na base do processo de desenvolvimento da personalidade humana, o denominado processo de individuação. Sendo que se trata do eixo da psicologia junguiana e diz respeito a um dado momento da vida do indivíduo em que este começa a questionar-se sobre determinadas necessidades de reflexão e ação para romper com hábitos antigos da vida quotidiana e ter uma vida com mais sentido. O que, de resto, é a base para toda a história, não é?

Vamos então conhecer estes arquétipos e perceber de que forma é que, ao tomar consciência deles, pode assumir “o pulso da sua caneta” e fazer da sua história um bestseller.

Persona

Deriva da palavra latina, que significa máscara. Para Jung, representa o que mostramos aos outros, as máscaras sociais que utilizamos e é, no fundo, a forma como desejamos que os outros nos vejam. Usar máscaras não é propriamente negativo. Torna-se, porém, nefasto quando o indivíduo confunde a máscara com a sua “pele verdadeira”. O processo de individuação passa por retirar estas máscaras que escondem os verdadeiros sentimentos.

Anima ou Animus

Tem a sua origem no latim e tanto Anima como Animus significam Alma. Anima representa inconscientemente o lado feminino da personalidade do homem, assim como Animus representa inconscientemente o lado masculino da personalidade da mulher. Para Jung existe em cada homem a imagem de uma mulher, fruto das experiências vividas pelos seus antepassados com todas as mulheres, geração após geração, e o mesmo se verifica nas mulheres. Também elas têm dentro de si a imagem de um homem, fruto das experiências das suas ancestrais com todos os homens, era após era. Estes arquétipos são orientados para processos internos, da mesma forma que é a Persona para processos externos. Funcionam como guias interiores e são indispensáveis ao processo de individuação, mas podem, pelo seu lado negativo, tornar-se uma obsessão, adquirindo demasiadas características do sexo oposto e, deste modo, originar más relações.

Sombra

É o nosso lado obscuro e diz respeito às pulsões instintivas. Quanto mais afastados estamos da nossa sombra, do nosso lado sombrio, mais o seu conteúdo tem necessidade de emergir. Por isso, é tão importante o confronto e aceitação da nossa sombra, e este é um passo inevitável para o processo de consciência para uma vida com mais sentido, isto é, aceitar quem somos em todas as nossas formas.

Self

No estudo que Jung realizou sobre mitos e também sobre religiões, observou-se que as imagens arquetípicas do Self representam a meta a ser atingida pelo Homem/personagem. Por isso, pode dizer-se que este é o arquétipo mais importante da psicologia junguiana. Em palavras simples, representa chegar mais perto do seu “eu verdadeiro” e, desta forma, afigura-se como o fim primordial do processo de individuação. Já pensou como estes arquétipos estão presentes na sua vida? Com um pouco mais de tempo de reflexão, talvez possa até identificar qual o arquétipo mais dominante nas pessoas que são importantes para a sua vida. Se reparar, estes e outros arquétipos estão presentes em praticamente todos os mitos e histórias que conhece, e não é por acaso, porque as histórias, os mitos, são contados para nos fazerem pensar, tomar decisões, agir. E a magia é que tudo isso acontece num processo natural, tal como uma semente que é deitada em terreno fértil e que às vezes não germina imediatamente, mas que assim que as condições se afiguram ideais, logo dará frutos.

Espero que tenha gostado! Depois de Jung, outros autores aprofundaram este tema e procuraram a correspondência dos arquétipos na nossa vida quotidiana e até na das empresas. Ficou curioso? Diga-me. Estarei atenta aos comentários. Um sopro de estrelinhas para si!

 

A escrita deste artigo teve recurso à seguinte bibliografia:
CHEVALIER, Gheerbrant. Dicionário de Símbolos. Ed. José Olympio: 1990.
FORDHAM, Frieda. Introdução à Psicologia de Jung. Ed. Verbo,: 1978.
JUNG, C. G.. El hombre y sus símbolos. Ed. Aguílar: 1969.

Sobre o autor

Dra. Ana Basto

Dra. Ana Basto
Directora Executiva Clinica Dra. Rosa Basto
Hipnoterapeuta pelo método Terapia Diamante®
Formadora em Storytelling e Contoterapia
Licenciada em Gestão e Administração de Marketing


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