Vivemos a vida presos ao passado e na ânsia do futuro

Todos nós em algum momento da nossa vida já sentimos uma sensação de profundo vazio, de não se estar completo, da ausência de algo para sermos felizes. Esta sensação vem por vezes, acompanhada por pensamentos de não se ser bom o suficiente, de não se ter bens materiais suficientes e de faltar sempre alguma coisa, alguém ou algum momento especial, para nos sentirmos plenos. Vivemos a vida presos ao passado e na ânsia do futuro.


O passado consome a nossa energia vital, pois passamos grande parte do nosso tempo e, em última análise, da nossa vida, a pensar, a julgar e a reviver as dores relativas ao que já vivemos. O restante do nosso tempo é passado na ânsia do futuro, estamos constantemente a ser assoberbados por pensamentos imparáveis sobre o futuro. Acordamos à segunda-feira a desejar a chegada da sexta-feira. Chega o tão desejado fim-de-semana, não somos felizes porque pensamos que amanhã já é domingo e logo logo será segunda-feira. Começamos o ano de trabalho ansiosos que as férias cheguem. Chegadas as férias, não conseguimos aproveitá-las porque a mente está ocupada a preocupar-se com o facto que daí a alguns dias estaremos novamente a trabalhar. Compramos uma roupa especial para um dia especial que, por vezes nunca chega, e a roupa acaba por ficar anos a fio no armário à espera de ser usada no tal evento especial.

Vivemos a vida presos ao passado e na ânsia do futuro

O tempo é vivido entre o passado e o futuro, a vida e o tempo fogem das nossas mãos como se fôssemos controlados por algo externo a nós, dando-nos a sensação de que não controlamos a nossa própria vida. Somos prisioneiros e reféns do nosso pensamento rápido e repetitivo e esquecemo-nos do mais importante – o presente! E o momento presente aguarda ansioso que o vivamos intensamente. Quando vivemos no agora, o medo e a ansiedade deixam de fazer sentido e de ter razão para existir. Que tal todos os dias serem especiais? Que tal exercitar a nossa mente para apreciar aquilo que estamos a viver agora, apreciar aquilo que somos agora e aquilo que temos agora?

Somos prisioneiros e reféns do nosso pensamento rápido e repetitivo e esquecemo-nos do mais importante – o presente!

Numa era em que somos pressionados pelas redes sociais para sermos perfeitos, ou seja, empreendemos a nossa energia numa busca de algo interno, mas baseado em fatores externos, o nosso principal desafio e dever é olhar para dentro de nós, “fechando olhos de fora e abrindo os olhos de dentro, os olhos da mente”. O desafio que se nos coloca é usarmos os nossos sentidos para viver e apreciar o momento presente.

Vivemos a vida presos ao passado e na ânsia do futuro

Experimente, por exemplo, no caminho para o trabalho observar cuidadosamente tudo aquilo que vê, ao dar um passeio num parque ou junto ao mar prestar atenção a todos os sons e cheiros que está a sentir no momento. Enquanto estiver a comer, treine o seu paladar para detetar os vários ingredientes da sua comida. Ao final do dia, quando tomar banho permita-se sentir a água quente no seu corpo. E, sempre que a sua mente for invadida por pensamentos automáticos e repetitivos, pare, respire fundo e foque a sua total atenção na sua respiração por alguns minutos. Quando conseguirmos libertar e conduzir a nossa própria mente, iremos certamente controlar problemáticas como a ansiedade, a depressão e os medos. Viver no presente é ser verdadeiramente inteiro e feliz.

Sobre o autor

Dra. Vânia Graça

Dra. Vânia Graça
Psicológa Clínica

  • Formado em Terapia Diamante® pela Dra. Rosa Basto
  • Mestre em Psicologia – área de especialização em Psicologia da Educação, Intervenção Psicológica e Desenvolvimento ao longo da vida (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto)
  • Pós-graduada em Psicologia Clínica e da Saúde
  • Formações em diversas áreas da Psicologia (ansiedade, depressão, luto, entre outros)
  • Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP)

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