Luto

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De acordo com dados recentes relativos a 2005 do Instituto Nacional de Estatística e da Direção Geral de Saúde, em Portugal morrem em média 295 pessoas por dia. Considerando estes dados e supondo que cada pessoa falecida tem pelo menos 1 pessoa da sua rede íntima de contactos (família e/ou amigos), podemos afirmar que pelo menos 295 pessoas por dia estão de luto. O processo de luto é uma das experiências mais dolorosas e intensas que qualquer ser humano pode vivenciar.

QUAIS OS SINTOMAS

  • Negação: é um mecanismo de defesa utilizado no processo de luto. O indivíduo é incapaz de aceitar racionalmente este momento doloroso, negando-o de uma forma por vezes inconsciente;
  • Culpa: por vezes existem sentimentos de culpa associados à perda de um ente querido. Surgem sentimentos de frustração e arrependimento “o que podia eu ter feito de forma diferente…” “…podia ter sido evitado…”;
  • Entorpecimento: sentimentos de descrença, choque e desamparo surgem associados à dificuldade em aceitar a perda;
  • Ansiedade: manifestações intensas de choro e mágoa profundas. A não possibilidade de contacto com o ente querido acaba por criar crises intensas de ansiedade e revolta;
  • Raiva: desespero, hostilidade e tristeza profunda. A não aceitação da perda ocorre frequentemente, levando muitas vezes a que o indivíduo que passa pelo processo se revolte contra todos os envolvidos, amigos, familiares, médicos e contra si mesmo. Existe na grande maioria dos casos um afastamento e desvinculação do convívio social ou seja, dos amigos e da família, perdendo-se o prazer e o interesse pelo mundo externo.De uma forma geral, associamos a palavra luto à perda de um ente querido, embora seja verdade, é relevante salientar que o mesmo processo e muitas vezes os mesmos sintomas são sentidos aquando outras perdas, tais como o fim de um casamento/namoro, a perda do emprego, a perda de um animal de estimação, entre outros.
    É essencial para o equilíbrio pessoal que o processo do luto seja resolvido da melhor forma, sem que existam bloqueios ou mágoas que perdurem eternamente. Por vezes não nos é dada a oportunidade de nos despedirmos convenientemente daqueles que amamos, de dizermos tudo aquilo que gostaríamos de ter dito, de dizermos simplesmente “amo-te” ou “perdoo-te”. É necessário que exista um processo de luto que naturalmente reequilibre o indivíduo após este acontecimento traumático. Existem muitos casos de lutos mal resolvidos, que caso não sejam devidamente sinalizados e tratados podem desencadear em estados depressivos que com o passar do tempo se vão agravando.