«Estou farto!» – Não deveria ser a fartura uma coisa boa?

“Estou farto!” – Esta expressão é muito usada pelas pessoas que entram nos nossos consultórios, e após verbalizarem estas palavras, “estou farto!”, logo de seguida respiram fundo como se tivessem medo de estarem fartos! O facto é que estar farto tem causado uma ansiedade constante em todo o tipo de pessoas pelo mundo inteiro.


  • Não deveria ser a fartura uma coisa boa?
  • Afinal o mundo está farto. Mas está farto do quê?
  • Está farto de comida?
  • Está farto de trabalhar para consumir?
  • Está farto do excesso?
  • Está farto de relações afetivas que não dão certo?
  • Ou está farto de estar farto?

A individualidade da consciência humana é um dos mistérios mais difíceis de desvendar ao nível da neurociência. O cérebro possui mais de um bilião de células nervosas que interagem entre si, onde estima-se que cada neurónio apenas num impulso elétrico interage com 10 mil neurónios ao mesmo tempo, o que faz disto uma rede mais extensa do que o somatório de estrelas que conhecemos no universo.

«Estou farto!» - Não deveria ser a fartura uma coisa boa?

Sendo que temos um universo dentro da própria cabeça, outra pessoa com quem interagimos a nível afetivo, tem outro universo de memórias, ideias e experiências, o que faz disto por vezes uma tarefa pouco fácil quando as duas insistem em estar juntas.

Contudo, também não tem de ser difícil.

O sociólogo da actualidade, Zygmunt Bauman, cita que estamos a atravessar uma era de relações líquidas, ao invés de possuirmos relações sólidas. Ainda podemos acrescentar, que estamos atravessar um período de tempo em que as relações são descartáveis como os produtos que consumimos, onde se partirmos, rasgarmos, perdermos, não importa. Compramos outro, já que foi fácil e barato de adquirir.

Os alicerces da relação não podem ser descurados numa fase inicial, se quisermos um edifício que aguente terramotos e tempestades, ter estratégias planeadas é fundamental. Saber o que queremos num futuro próximo e até mais além, também. As convicções de ambos os protagonistas da história romântica, devem estar em uníssono com se fossem duas orquestras a seguir os mesmos princípios e regras musicais da melodia e harmonia.

“Vamos ver no que isto dá” não costuma ter bom resultado, geralmente não dá em nada.

Às vezes sonhar e projectar o que queremos, não constitui nenhum pecado de luxúria, simplesmente orienta o mapa para onde se quer ir. Certamente exigirá criar, pensar e mover, sem se prender aos defeitos do outro que são apenas pormenores e que afinal de contas só refletem as nossas enganosas expectativas. Se quisermos família, filhos, casar, ou apenas querer dar umas voltas, que assim seja, mas seja qual for a escolha que faça, que seja vivida como a melhor experiência de sempre!

«Estou farto!» - Não deveria ser a fartura uma coisa boa?

Assim o que parece ser descartável, pode se tornar sólido, o que é sólido pode durar com consistência! O medo de que não vai correr bem, é uma boa estratégia de antecipar o final muito mais cedo do que se está à espera!

Para concluir, é necessário deixar a nuance de que nenhuma relação corre mal se dela conseguirmos reciclar as emoções aprendidas, torná-las num aprendizado positivo para um futuro descomplicado. Sem contornar as leis da física, tudo acontece num espaço e num determinado tempo, mantenha atenção a si, às suas crenças ideias e motivações!

Até as relações estáveis precisam de dinamismo!
Mova-se!!!!

Sobre o autor

Dr. Emanuel Oliveira

Dr. Emanuel Oliveira
Neuropsicólogo

  • Formado em Terapia Diamante® pela Dra. Rosa Basto
  • Mestre em Neuropsicologia, pela CESPU – Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário
  • Licenciado em Psicologia Clínica, pelo ISLA
  • Coordenador da zona norte de Grupo Terapêutico de Traumatismo Craneo Encefálico, Centro de Reabilitação do Norte/Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto
  • Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP)

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