Clínica Dra. Rosa Basto - Psicologia e Hipnoterapia | Além dos olhos fechados: a viagem interna da Hipnose

Além dos olhos fechados: a viagem interna da Hipnose

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Ainda que a hipnose já tenha vindo a ser progressivamente desmistificada, (e esta é uma das missões de trabalho sobre o qual a Clínica Dra. Rosa Basto também se tem comprometido e debruçado), podem ainda fazer-se sentir algumas dúvidas ou comentários como os abaixo expostos por algumas das pessoas que nos procuram. Este facto é por isso reflexo de alguns mitos que podem ainda persistir na sociedade sobre a hipnose.


“Eu vou adormecer, não é?”;
“Mas será que depois eu vou acordar?”;
“E se eu não consigo acordar?”;

“E depois eu vou me lembrar disso?”;
“Hipnose é ficar inconsciente, não é?”;
“Se eu vou desmaiar…Tenho medo do que é que me possa acontecer!”;
“E se eu descubro alguma coisa que eu não quero descobrir?”;
“Não sei se eu vou conseguir fazer hipnose!”

A hipnose é confundida por algumas pessoas como um estado de sono, de perda de memória, de inconsciência, de desmaio, de perigo, de um desvendar de segredos profundos da mente ou, ainda, associada a uma tarefa difícil ou até impossível para alguns. Marto, J. (2013) refere que o tema hipnose está por vezes associado a um lado místico, mágico e sobrenatural.

É importante deixar explícito que a hipnose é tudo menos sobrenatural. Pelo contrário, estar em transe hipnótico é estar num estado tão natural que todas as pessoas o experimentam no seu dia a dia, e múltiplas vezes, sem sequer se aperceberem que isso está a acontecer.

A hipnose é confundida por algumas pessoas como um estado de sono, de perda de memória, de inconsciência, de desmaio…

Já alguma vez teve a necessidade de chamar por alguém que estava tão concentrado nos seus pensamentos que teve de o interpelar com um: “Então? Estavas em transe?”. Pois! Isso mesmo! Isto tudo porque, para estar em transe hipnótico, precisa apenas de imaginar e se concentrar sobre um cenário que está a imaginar. Não adormeceu, não ficou inconsciente, não perdeu a memória, …. Pelo contrário: estava era de tal forma concentrado sobre o que estava a imaginar/pensar que entrou em transe hipnótico. Daí o ter tido a necessidade de chamar aquela pessoa (ou, como dizem os hipnoterapeutas, de a “despertar”).

Não esquecendo que – como a hipnose é algo tão natural – para “conseguir estar em hipnose” (ou seja, para se debruçar a imaginar esse cenário de forma concentrada), precisará naturalmente de se envolver. E, para isso, de então desejar e se disponibilizar a se envolver nesse exercício.

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“E isso funciona?”

A APA (Associação Americana de Psicologia) reconhece e valida a hipnose como uma técnica de intervenção que, segundo Mota, D. (2023), tem um potencial clinicamente valioso. São já múltiplos os trabalhos de investigação que, de forma crescente, estudam e validam cientificamente a hipnose como uma ferramenta com contributos positivos em tratamentos (Mota, 2023) e, de várias problemáticas, como: depressão, ansiedade, dor, stress pós-traumático, fobias, distúrbios na infância, síndrome do cólon irritável, distúrbios dissociativos (Marto & Simões, 2013). Também a Organização Mundial de Saúde corrobora a eficácia da hipnose, validando-a e recomendando-a assim novamente no tratamento comprovado de várias problemáticas (depressão, ansiedade, asma, síndrome do cólon irritável, cuidados paliativos).

São já múltiplos os trabalhos de investigação que, de forma crescente, estudam e validam cientificamente a hipnose como uma ferramenta com contributos positivos em tratamentos (Mota, 2023)

Recentemente, e após a revisão de várias investigações científicas, Mota, D. (2023), concluiu também a importância da hipnose como terapia complementar no tratamento de doentes oncológicos, salientando-a e propondo-a como uma intervenção relevante que pode oferecer potenciais benefícios no processo oncológico que o doente vive: as mudanças com que se deparam, o alívio de sintomas, o aumento da autoestima, a minimização dos efeitos adversos. Inclusivamente, porque a sintomotalogia ansiosa e depressiva inerente ao processo oncológico faz diminuir a qualidade de vida do doente, o tempo de sobrevida, a eficácia dos tratamentos e, prolonga o seu período de hospitalização (Bottino et al., 2009; Irving & Lloyd-Williams, 2010). Ficando por isto evidente que a hipnose – aliada à Psicologia – potencia portanto não só a intervenção em questões psicológicas, como físicas (ainda por exemplo, no controlo da dor crónica).

“E como é que a hipnose me vai ajudar/ “tratar”?

Veja-se que a hipnose, ao ser utilizada com fins terapêuticos – designada enquanto hipnoterapia – estará a ser utilizada por profissionais de saúde que, qualificados, têm como principal função avaliar e intervir nas problemáticas de saúde do paciente. Ora, tratando-se de profissionais de saúde mental, estes têm o papel de diagnosticar e delinear planos de intervenção – agora – quanto a questões emocionais/psicológicas.

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Ora, se o profissional de saúde mental – além do processo psicoterapêutico convencional – faz uso acrescido da hipnose, permitirá assim ao paciente a possibilidade de ir “à raiz do problema”, ao “revisitar”, (imaginariamente), os momentos ou eventos que deram origem a essas questões emocionais e, então, “resolvê-las”. Isto é: ressignificar de forma mais facilitada a experiência vivenciada. Tudo isto, porque – por si só – é na terapia que se aprendem os processos psicológicos que produzem as mudanças biológicas nas sinapses cerebrais e nas expressões neurofisiológicas (Martin, 2013). Ora, quando aliamos a hipnoterapia à terapia convencional, dá-se um acréscimo de resultados positivos e potenciadores porque, tal como indica Orne (1979), a pessoa, em transe hipnótico, tem a capacidade de experimentar as alterações sugeridas. Facilitando-se assim exponencialmente que hajam mudanças no pensamento, comportamento e sentimento.

Em suma, não podemos negar que a hipnose, aliada à Psicologia, potencia a qualidade de um processo de intervenção psicológica, dando a oportunidade para se atingir, de forma mais facilitadora e mais breve, o objetivo desejado de uma intervenção psicológica: o bem-estar emocional. Mais ainda, conseguindo-se também, neste mesmo processo, ajudar o paciente a aprimorar e potenciar os seus recursos facilitadores para o futuro munindo-o de capacidade para que, nesse futuro, de forma autónoma e independente, consiga gerir as suas emoções/questões psicológicas, individualmente.


Referências Bibliográficas:
Borges Bottino, S. M., Gallo Garcia, C. P., de Mattos Viana, B., & de Campos Bottino, C. M. (2013). Depressive symptoms and cognitive deficits in a cancer patient submitted to chemotherapy with 5-Fluoracil: A case report. Dementia & Neuropsychologia7(3), 308–311. https://doi.org/10.1590/S1980-57642013DN70300013

Irving, G., & Lloyd-Williams, M. (2010). Depression in advanced cancer. European Journal of Oncology Nursing14(5), 395–399. https://doi.org/10.1016/j.ejon.2010.01.026

Marto, J. (2013). Hipnose: um Pouco de História. In J. Marto & M. Simões (Eds). Hipnose Clínica – Teoria, Pesquisa e Prática. Lidel

Marto, J. & Simões. M. (2013). Hipnose Clínica – Teoria, Pesquisa e Prática. Lidel

Martin, M. & Ángeles, M. (2014). Hipnose: Surpresa e Hipnoidal como Fatores da Mudança Terapêutica nos Distúrbios Emocionais. [Tese de Doutoramento, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra]. http://hdl.handle.net/10316/24523

Mota, D. (2023). O Impacto da Hipnose na Ansiedade e na Depressão em Doentes Oncológicos. [Tese de Mestrado, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra]. http://web.esenfc.pt/?url=pIDxnu4P

Orne, M. T. (1979). The use and misuse of hypnosis in court. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis27(4), 311–341. https://doi.org/10.1080/00207147908407571

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