Que pai ou mãe escolhe ser? Uma breve reflexão

A entrada no mundo da parentalidade faz surgir muitas dúvidas sobre qual é a melhor forma de educar os filhos. Entre azáfama do quotidiano e o piloto automático habitual sobram escassas horas do dia para passar tempo de qualidade com os filhos e educá-los torna-se uma tarefa ainda mais desafiadora. Quantas vezes dá por si a ameaçar com palmadas, gritos ou castigos e a usar permissividade e a manipulação através de recompensas como forma de alterar ou lidar com os comportamentos dos seus filhos? Pare um pouco para refletir agora… Essa abordagem tem tido resultados eficazes a longo prazo? Tem efetivamente mudado o comportamento dos seus filhos? Provavelmente a sua resposta será não.


Existem na literatura muitas abordagens à parentalidade, sendo uma das mais abordadas atualmente a parentalidade positiva e consciente. De forma breve, esta perspectiva sobre a parentalidade teve início no século XVIII pela filosofia educativa de Rosseau, tendo sido depois desenvolvida por outros pedagogos como Dewey, Montessori e Nelsen.

Tem por base a disciplina positiva, que envolve ferramentas como o reforço positivo e o elogio, e também a atenção plena, que implica estar focado no momento presente, numa postura de não-julgamento e consciente das suas escolhas.

Esta abordagem pode resumir-se em 4 pilares essenciais:

1) Respeito mútuo/igual valor

Consiste em reconhecer as próprias necessidades enquanto pai/mãe/cuidador e ajudar a criança a reconhecer e respeitar as suas. Necessidades referem-se aspetos que as crianças e adultos podem sentir que estão em falta (por exemplo, a necessidade de maior conexão com os pais ou a necessidade de ser reconhecido pelos outros).

2) Vínculo/conexão

A relação entre pais e filhos deve ser baseada numa vinculação segura (baseada no amor e segurança), que propicia uma maior conexão e união. Por sua vez, irá aumentar a probabilidade da criança colaborar mais e perceber os pais como líderes. Uma questão importante que pode colocar a si mesmo enquanto pai é: “O que posso mudar na minha comunicação para gerar mais conexão?”

3) Responsabilidade pessoal

Esta dimensão consiste em identificar a própria responsabilidade pessoal sobre as situações experienciadas no dia-a-dia e ajudar as crianças a identificar a sua. Permite desenvolver em si e na criança a comunicação consciente/não violenta e a inteligência emocional.

4) Proatividade e liderança

A melhor forma de estimular mudanças positivas no comportamento das crianças/jovens é através do exemplo. Em vez de procurar que os seus filhos obedeçam procure agir como gostaria que eles se comportassem. Por outras palavras: “Sê a mudança que queres ver no mundo” (Gandhi).

Para facilitar este ganho de consciência e a adoção de uma parentalidade mais consciente questione-se a: porque é que faço o que faço? qual é a minha intenção como pai/mãe/educador?

Lembre-se, as crianças são como “esponjas” que absorvem tudo o que as rodeia, se as ameaçar, manipular ou bater é isso que os seus filhos vão repetir no seu relacionamento com os outros… se, por outro lado, os compreender, responsabilizar e amar, vão adotar esses mesmos comportamentos (e valores) com os outros que as rodeiam…

Então, afinal que pai ou mãe escolhe ser?

Helena Gonçalves
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