Afinal, o que é a beleza e qual o preço para a alcançar?

Estudos demonstram que 100% do descontentamento dos jovens com o próprio corpo deve-se à insatisfação pela comparação da beleza e corpo ideal. E o resultado desta luta pelo corpo ideal trará um maior ou menor grau de autoestima. Sendo que esta será mais efetiva quanto mais a parecença com os modelos – ser magro e perfeito! Mesmo os rapazes e as raparigas que têm peso normal ou abaixo querem emagrecer. Emagrecer, para eles, significa a possibilidade de atingir a perfeição e, com ela, trazer “sucesso social”, “profissional”, “afetivo” e, principalmente, a não rejeição pela sociedade!


Se tivéssemos de questionar entre beleza e essência, qual delas estaria em vantagem? Aparentemente seria a essência, mas nada poderá estar mais errado. A “boa aparência” compreendendo-se beleza, nos nossos dias, está em grande vantagem. Cada vez mais os adolescentes e jovens adultos se afastam da sua autenticidade e se preocupam com a autoimagem – ser bonito – caso contrário sentem-se “rejeitados”. Não que a autoimagem tenha algo de errado, até é muito positivo desde que seja em prol do bem-estar próprio, ou seja, de a pessoa se sentir bem com a sua imagem sem que seja para agradar aos outros e isso lhe traga prejuízo ou desconforto. Embora os pais, a boa moral e a religião se preocupem em passar a mensagem que o que importa é a essência, essa não é a realidade que nos chega aos consultórios. O tema principal das perturbações ligadas à imagem, nos jovens de hoje, associam-se à falta de autoestima, gerando complexos de inferioridade, ansiedade, fobias, depressão, entre tantas outras perturbações de igual importância.

O que interessa é o imediato – ser bonito a qualquer custo – se assim não for é como se não se tivesse qualquer tipo de valor na sociedade atual. Ao que parece, o que salta à vista e que pode saciar de imediato os olhares mais indiscretos é o que está a dar! Mas onde está o bom senso de se poder ser “simples e autêntico”?

Beleza vs. Doença

Para definir beleza e entrar num consenso, provavelmente este artigo não chegaria. Os gostos são subjetivos e, por isso, o que é bonito para um, não o é para outro. A beleza poderá então ser entendida como a avaliação que uma pessoa faz sobre determinada coisa. Por isso, a beleza é subjetiva, íntima e pessoal. No entanto, esta pode ser manipulada pela indústria da beleza, que através dos media, da publicidade, das novelas, das passerelles, levam a crer que beleza e magreza estão diretamente ligadas. Estes tratam de divulgar e propagar os ideais de beleza baseados nos modelos e não na beleza em si mesma. E as vítimas desta propagação são, sem dúvida, os mais novos que se encontram na fase de afirmação de identidade. Ao tentarem imitar os respetivos modelos, entram numa corrida eufórica sem olhar aos meios para atingir o objetivo: ser belo e aceite!

Por sua vez, a ditadura da beleza, governada por uma indústria que só visa lucros, leva o caos a muitos dos seus habitantes. A beleza vende, inspira, é motivadora e traz muitas vantagens para aqueles que a promovem e muitos prejuízos para quem a segue irrefletidamente. Atrás dela ficam os escravos de uma imagem que desejam, mas nunca alcançam. Refiro-me a todos os jovens, que numa busca indiscriminada de padrões inexecutáveis, trazem às suas próprias vidas doenças que roubam a qualidade de vida e que podem até matar, como ocorre nas perturbações alimentares: a anorexia nervosa, bulimia e as perturbações associadas à imagem como a dismorfofobia corporal.

Segundo Alfred Adler (1930), autor da Psicologia de Desenvolvimento Individual, defende que o corpo é a maior fonte de sentimentos de inferioridade na criança, que se vê e sente frágil em relação aos mais crescidos. Sendo que as primeiras observações e experiências serão fundamentais para o relacionamento com o próprio corpo no futuro. Pessoas que na infância tiveram maiores dificuldades em aceitar a sua autoimagem, trazem consigo um sentimento de baixa autoestima, sensação de “deformidade/feiura” que os faz agir como se fossem realmente feios e rejeitados. Esta autoimagem inadequadamente mal formada faz com que tenham comportamentos distorcidos mediante a forma através da qual se avaliam. Por este motivo, poderemos dizer também que beleza é uma questão de imagem e de autoimagem.

Esta é mutável e induzida por estímulos externos, internos, sentimentos e emoções. Será, nesse caso, determinante a forma como a própria pessoa orienta e controla todos estes estímulos, sentimentos e emoções para a afirmação da sua autoestima.

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica “Curar com a Hipnoterapia” no programa A Tarde É Sua
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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