Anorexia nervosa: sintomas, diagnóstico e tratamento

Um anoréxico raramente reconhece a perturbação alimentar e não procura ajuda. Por isso, muitas vezes, são familiares e amigos que suspeitam de anorexia nervosa e o elucidam a procurar ajuda.


A anorexia nervosa, também meramente conhecida como anorexia, é uma perturbação alimentar que estimula na pessoa muito medo de ganhar peso e/ou gordura corporal, levando-a a delimitar a quantidade de comida que ingere de forma implacável. Por vezes, os anoréxicos também fazem exercício em excesso, num esforço de queimar as calorias que ingeriram para não ganharem peso extra. Mesmo quando se abatem fisicamente, e os outros os acham doentiamente magros, os anoréxicos ainda acham que os seus corpos são muito pesados e continuam a comer tão pouco quanto possível. Infelizmente, sem nutrientes suficientes para os alimentar, os órgãos internos de um anoréxico podem falhar, podendo daí resultar a morte.

Sintomas da Anorexia

  • Contagem obsessiva de calorias;
  • Pular refeições;
  • Brincar com a comida no prato em vez de comer;
  • Esconder comida para evitar comê-la;
  • Mentir quanto a já ter comido numa tentativa de evitar a refeição;
  • Ingerir apenas um determinado tipo de comida;
  • Fazer exercício em excesso, particularmente depois de uma refeição ou “para abrir o apetite”;
  • Perda dramática de peso;
  • Excessivo interesse em questões relacionadas com peso, imagem corporal e jejum;
  • Vestir roupa larga ou disforme para esconder o corpo;
  • Baixos níveis de energia;
  • Doenças frequentes;
  • Sono excessivo;
  • Reduzido ou inexistente apetite sexual;
  • Tendência para cozinhar para os outros e coleccionar receitas, devido à grande paixão pela comida;
  • Alguns pacientes têm episódios em que comem compulsivamente, sendo que estes episódios ocorrem geralmente à noite e em segredo. Seguem-se vómitos autoinduzidos.

Dra. Rosa Basto: Anorexia Nervosa

Características Clínicas

  • O início da anorexia nervosa tende a ocorrer entre os 10 e os 30 anos, embora, de acordo com o DSM-IV, a idade de início mais comum seja entre os 14 e 18 anos.
  • Hipotermia (de até 35º C), edema de membros inferiores, bradicardia, hipotensão e lanudo (aparência de pelos semelhante aos neonatais) que se manifestam, havendo uma série de modificações metabólicas.
  • Alterações eletrocardiográficas.
  • Em casos mais graves pode surgir dilatação gástrica.
  • Em alguns pacientes, a aortografia tem mostrado uma síndrome da artéria mesentérica superior.
  • Os pacientes tendem a ter comportamento obsessivo compulsivo, depressão e ansiedade.

Diagnóstico da Anorexia

O diagnóstico é feito por um psiquiatra, pelo facto de se tratar de uma perturbação mental. Segundo o DSM-IV, para que exista diagnóstico, é necessário surgir quatro critérios de diagnóstico:

  1. Recusa em manter o peso corporal igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (abaixo dos 85% esperado);
  2. Medo intenso de ganhar peso ou de engordar, mesmo estando com o peso abaixo do normal;
  3. Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a autoavaliação ou negação do baixo peso corporal atual;
  4. Nas mulheres pós-menarca, amenorreia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos (obviamente não incluído no diagnóstico masculino).

Nota: Para além destes critérios, é necessário fazer um exame completo para determinar a extensão da respetiva perturbação.


Tratamento

Tendo em conta as implicações psicológicas e médicas da anorexia nervosa, recomendo um plano de tratamento abrangente:

  • Hospitalização em casos muito graves e estritamente necessário. Quando existem suspeitas de desidratação, inanição e desequilíbrios eletrolíticos podem comprometer a saúde e, em alguns casos, levar à morte.
  • Terapia individual e familiar.
  • Acompanhamento por três técnicos de saúde: psiquiatra, psicólogo e nutricionista.
  • O acompanhamento psicoterapêutico é fundamental. Através da terapia cognitiva-comportamental, psicoterapia dinâmica, terapia familiar e, ainda, a hipnoterapia. No meu consultório, utilizo mais a hipnoterapia por ser uma abordagem rápida no tratamento. A terapia familiar também é fundamental nestes casos. É feita uma análise à família para melhor ser aconselhada o tipo de terapia para o paciente em questão. É importante conhecer os familiares mais significativos do paciente para melhor se trabalhar o objeto de distúrbio do mesmo. Quando não é possível trabalhar com a família, as questões familiares são levadas para a terapia individual.
  • Estudos recentes farmacológicos não identificaram ainda qualquer medicamento para a melhora definitiva dos sintomas da anorexia nervosa. Por esse motivo, tem-se dado muito relevo ao apoio psicoterapêutico neste tipo de perturbações.

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica “Curar com a Hipnoterapia” no programa A Tarde É Sua
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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