Ansiedade: Porque será que tantas pessoas têm tanto medo de falhar?

A perturbação de ansiedade está entre as condições psiquiátricas mais prevalentes na maioria das populações estudadas. Os estudos demonstram de maneira persistente que esta perturbação produz morbidade desordenada, uso de serviços de saúde e comprometimento do desempenho incomum.


Quando temos pensamentos obsessivos, a nossa energia concentra-se neles e quanto mais pensamos, mais presentes eles estão. Por isso, é importante aprender a libertar estes pensamentos para poder cuidar da sua saúde. Pensamentos persistentes e negativos são um dos sinais mais comuns de um distúrbio de ansiedade. A ansiedade, em muitas pessoas, tem a ver com uma característica de perfeccionismo e em querer ter tudo sob controlo para não falhar. A pergunta seguinte seria: “Porque será que tantas pessoas têm tanto medo de falhar? Se crescemos a aprender pela tentativa erro, como quando aprendemos a andar e caímos tantas vezes e só depois dessas tentativas é que começamos a andar bem, não é? Então de onde vem esse medo de falhar?”

O poder das palavras durante a infância

Vem das crenças que nos ensinaram desde pequenos, onde acreditamos piamente que se não formos verdadeiramente bons podemos ser ridicularizados, sendo que a autoestima pode ir abaixo com facilidade. A educação e as experiências do passado podem estar na base de muita ansiedade desde crianças. Quantas crianças aprendem que nunca podem ser menos ou não serem os melhores como sinónimo de fraqueza ou fragilidade? Existem famílias onde os mais significativos (pais e outros de maior significado para as crianças) são pessimistas e a vida é sempre vista como uma dificuldade e com pessimismo, ou pais exigentes. O difícil e complicado são as palavras que as crianças ouvem. Ao ouvir que não sendo boas no que fazem e na perfeição podem ser excluídas dos demais.

Nesse receio de serem postas de lado ou excluídas, estas crianças crescem com tanto medo de falhar que fazem tudo até adultos para serem aceites. Falhar é o seu maior medo. Fracassar é, sem dúvida, o medo mais consistente das pessoas ansiosas. E na tentativa de serem aceites e reconhecidas esquecem-se de viver realmente a vida e saborearem os momentos e as experiências com todas as riquezas que elas possam dar. Gosto de dizer que o fracasso não existe. Apenas existe feedback. Se a resposta não for a melhor tenta-se de novo até melhorar. Assim é bem mais tranquilo e a vida tem outro sabor.


O que é a ansiedade?

A ansiedade é um sentimento humano normal. Todos nós sentimos ansiedade quando confrontados com situações que achamos ameaçadoras ou difíceis.
É um fenómeno natural, importante e funcional. Passa a ser disfuncional quando a intensidade aumenta e nos leva a ter medo de tudo. Tudo o que é excesso faz-nos mal e prejudica a nossa saúde. Se não tivéssemos qualquer tipo de ansiedade ficaríamos parados, mas ao contrário disso adoecemos. Quanto mais ansiosos, mais cortisol nos corre nas veias e o nosso “amigo” stress pode fazer estragos na nossa vida. As células, de acordo com o ritmo ultradiano, precisam, a cada hora e meia, de vinte minutos para reestruturar o equilíbrio ácido-básico. Se todos descansássemos por vinte minutos, ninguém teria stress nem doenças somáticas que se aproveitam do stress para se manifestarem.


O DSM-IV lista os seguintes distúrbios de ansiedade:

  • Perturbação de pânico com e sem Agorafobia;
  • Fobia específica;
  • Fobia social;
  • Perturbação obsessivo-compulsiva;
  • Perturbação stress pós-traumático;
  • Perturbação de stress agudo;
  • Perturbação ansiedade generalizada;
  • Perturbação de ansiedade, devido a uma condição médica geral;
  • Perturbação de ansiedade induzida por substâncias;
  • Perturbação de ansiedade sem outra especificação.

O círculo vicioso da ansiedade

Conheça os sintomas

A ansiedade e os seus transtornos podem causar sintomas tanto mentais quanto físicos, que atrapalham o dia a dia de diversas formas. Veja quais são os principais:

Sintomas psicológicos

  • Constante tensão ou nervosismo;
  • Sensação de que algo mau vai acontecer;
  • Problemas de concentração;
  • Medo constante;
  • Descontrolo sobre os pensamentos, principalmente dificuldade em esquecer o objeto de tensão;
  • Preocupação exagerada em comparação com a realidade;
  • Problemas para dormir;
  • Irritabilidade;
  • Agitação dos braços e pernas.

Sintomas físicos

  • Dor ou aperto no peito e aumento das batidas do coração;
  • Respiração ofegante ou falta de ar;
  • Aumento do suor;
  • Tremores nas mãos ou outras partes do corpo;
  • Sensação de fraqueza ou cansaço;
  • Boca seca;
  • Mãos e pés frios ou suados;
  • Náusea;
  • Tensão muscular;
  • Dor de barriga ou diarreia.

As causas

Não se sabe ao certo por que algumas pessoas são mais propensas à ansiedade descontrolada do que outras. Alguns dos fatores que podem estar envolvidos são:

  • Genética, ou seja, histórico familiar de distúrbios de ansiedade;
  • Ambiente, por exemplo passar por algum evento traumático ou stressante;
  • Mentalidade ou modelo de pensamento, isto é, a forma como a pessoa estrutura os seus pensamentos ou linhas de raciocínio e, consequentemente, encara as situações diárias.


Bónus
Liberte-se de pensamentos obsessivos

  1. Relaxe. Os pensamentos obsessivos geram ansiedade e preocupação. Por isso, é necessário ter tempo para relaxar. Quando sentir que um pensamento desse tipo invade a sua mente, trate de respirar fundo, libertar a mente e esvaziá-la.
  2. Divirta-se. Disponha de algum tempo do dia para fazer atividades que gerem prazer, ouça música, leia um livro, realize atividades físicas. Desta maneira, a mente mantém-se ocupada com outras coisas.
  3. Diferença. Diferencie as situações que merecem ou não preocupação. Concentre-se em solucionar aquelas que estão ao seu alcance.
  4. Pensamento positivo. É importante ser otimista em relação ao que sucede. Quando temos um pensamento obsessivo, a tendência é realimentá-lo e terminar criando uma situação maior que a realidade.
  5. Realidade. Seja o mais realista possível ao enfrentar um pensamento obsessivo. Pense nas consequências de não fazer algo e se isso realmente vale o stress.
  6. Aceite que não pode controlar tudo. É fundamental separar-se das coisas que não dependem de si. Há situações externas que não serão modificadas, mas é possível mudar a sua atitude perante elas.
  7. Consulte um profissional. Se sentir que não controla os pensamentos obsessivos, consulte um profissional para um tratamento adequado.

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto
Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica “Curar com a Hipnoterapia” no programa A Tarde É Sua
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


Comentários

Share this post