Muitas pessoas andam distraídas com tudo que é momentâneo e fácil

Os seres humanos têm defeitos, têm falhas, assim como as suas relações.


Acredito que não existam casais perfeitos com relações amorosas perfeitas como não existem pessoas perfeitas. Mas, o que verdadeiramente me convence é que há pessoas mais desenvolvidas e civilizadas que quando amam esforçam-se para as coisas darem certo. Claro que haverá pessoas que não foram feitas para terem um relacionamento sério e duradouro e, essas, quando vivem com alguém é-lhes difícil uma adaptação sentindo que estão ‘amarradas’ com uma corda no pescoço, como se fosse uma trela. Confundem compromisso por falta de liberdade. Nada disso será verdade, apenas não foram feitas para casar ou ter um relacionamento sério e duradouro. Há que respeitar essas pessoas. No entanto, quem casa com elas vive um verdadeiro inferno, porque ao tentarem mudá-las, confrontando-as com um compromisso, os conflitos começam. Estas pessoas precisam de se sentir livres, sem compromissos, tendo apenas como objectivo o seu sucesso individual. Não quer dizer que numa boa relação não existam alguns conflitos, pois o ciclo de vida de um casal tem altos e baixos que muitas das vezes colocam a relação à prova.

Muitas pessoas andam distraídas com tudo que é momentâneo e fácil

São estas crises que fazem fortalecer a relação e quando os pilares estão bem consolidados existe a possibilidade de sair da crise fortalecidos com a dificuldade. Caso contrário, quando os casais não investem nestes pilares o que acontece é a ruptura. Mesmo que ainda possa haver um grande sentimento entre os dois, o amor individual é mais forte que o amor comum. Existem casos, em que um dos parceiros ainda quer lutar pela relação enquanto o outro quer escapar, pois já não encontra forças para continuar e resolver as incompatibilidades. Há casais que se divorciam mesmo quando ainda continuam a amar. Para tal não acontecer é preciso reconhecer que se ama e que se quer continuar a amar.

Ser solidário, saber amar e partilhar

Talvez existam pessoas para viverem sozinhas e outras para viverem numa relação amorosa fortalecida e confortável. Eu acredito que o ser humano é um ser gregário precisando de ter um grupo e alguém em quem possa confiar plenamente, constituindo a sua própria família. Será que os tempos de hoje estão a estragar o melhor que o ser humano tem: ser solidário, saber amar e partilhar?

Hoje em dia, nas nossas clínicas cada vez mais aparecem pessoas tristes com os relacionamentos amorosos. As pessoas estão mais egoístas, pensam só em si mesmas, deixam de partilhar. Falam de uma ‘falsa independência’ tendo como base a individualidade. Os relacionamentos amorosos variam nessa relação directa, ou seja, relacionamentos de momento ou como hoje se chama ‘relacionamentos coloridos’. Não existe relacionamentos com compromisso, apenas passagens amorosas onde o deleite é o prazer único e simplesmente! Muitas pessoas andam distraídas com tudo que é momentâneo e fácil. E como nós, seres humanos, somos reflexo das nossas emoções quando estamos sem estabilidade amorosa e isso reflecte-se nos nossos comportamentos e atitudes em termos gerais na nossa vida, trazendo, para alguns/muitos, estados depressivos e de ansiedade e outras patologias.

Apoio psicológico/tratamento

Quando os casais sentem que não têm capacidade de gerir os próprios conflitos e alguns sinais de alarme surgem, ‘devem’/podem, de comum acordo, pedir apoio psicológico especializado. Sozinhos, provavelmente, já não darão conta do recado e, se a situação já estiver muito avançada, tentar resolver sozinhos a situação, muitas das vezes, leva mais rapidamente à separação. Quando as discussões ou o mal-estar se prolongam por semanas ou meses vale a pena parar para equacionar a hipótese de recorrer à terapia.

A terapia familiar e conjugal permite que os casais possam trabalhar as suas diferenças e voltarem a encontrar o equilíbrio. Quando nada disto é possível e o culminar é a separação é fundamental trabalhar o luto da relação para que ambos sigam um novo caminho saudável e feliz e ninguém fique em prejuízo.

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica “Curar com a Hipnoterapia” no programa A Tarde É Sua
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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