O poder do pensamento: saúde ou doença?

A psicologia positiva vem afirmar que nós somos aquilo que pensamos. Por exemplo, se ao longo da sua vida o ensinaram a acreditar em si, elogiando-o, valorizando-o, dando-lhe reforços positivos, provavelmente irá crescer acreditando que pode ser feliz e, dessa forma, tendo capacidade para combater as diversidades da vida – vai atrair saúde.


Mas, se pelo contrário, viver e crescer no seio de uma família com um ambiente de risco (pessoas conflituosas, negligentes, sem recursos positivos, violência física e/ou emocional, manipuladoras) ou num ambiente de comportamento de doença (onde pessoas significativas estão sempre a falar de doenças e se comportam como tal), provavelmente irá acreditar que tudo para si vai ser mau e o que a espera é realmente mau. Ao ter um pensamento negativo (que foi o que aprendeu ao longo da vida) vai trazer todas essas situações para a sua vida – vai atrair doença. Cada pessoa ‘codifica’ as suas experiências anteriores e essas ‘codificações’ influenciam posteriormente as suas atitudes, crenças e comportamentos. Por isso, a importância de fazer terapia.

Recentemente foi realizada uma investigação intitulada “Emotion regulation and chronic illness: The roles of acceptance, mindfulness and compassion in physical and mental health” realizada por Inês Trindade, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação  na Universidade de Coimbra (FPCEUC), que ressalta que “O tipo de processos psicológicos utilizados por pessoas com doença inflamatória do intestino (DII) pode influenciar diretamente a forma como esta patologia evolui em cada paciente”. Esta investigação trata sobre a relação entre saúde física e saúde mental em pacientes com doenças como a doença de Crohn e colite ulcerosa, doenças autoimunes que causam inflamação crónica no intestino. Segundo faz referência a UC, o estudo “permitiu mesmo concluir que a fusão cognitiva, a forma como a pessoa lida com a sua experiência interna, é mais importante para predizer a evolução física e mental dos doentes de DII do que a sintomatologia física da doença”.

O poder do pensamento: saúde ou doença?

Curiosamente, há relativamente pouco tempo, descobriu-se que o nosso intestino é composto por imensos neurónios e representa um sistema nervoso autónomo, quem o afirma é doutora Megan Rossi, especialista australiana em saúde intestinal.

O que mais gostei da investigação levada a cabo pela investigadora Inês Trindade foi ter verificado que “a forma como a pessoa lida com os seus pensamentos acerca da doença – se se fusiona ou não com eles, ou seja, se acredita neles como se fossem uma verdade absoluta ou consegue ter uma atitude mais distanciada e os observa apenas como produtos da sua mente – influencia a evolução da sua saúde física (auto-percebida) e da sua saúde mental”

Há muito tempo que percebo, empiricamente e ao longo destes últimos 20 anos de experiência, que existe uma forte relação entre a manifestação física da doença e a saúde mental do sujeito que a apresenta, por isso sempre procurei construir técnicas, no âmbito do método que desenvolvi – a Terapia Diamante®,  com o intuito de possibilitar alterações na codificação de experiências e permitir às pessoas terem mais opções para mudarem as suas crenças limitantes e que se traduz nas pessoas focarem-se na saúde em vez da doença, arranjando boas estratégias para lá chegar. A hipnose clínica e de regressão é a ferramenta que mais uso em consultório, embora integre outras durante o processo terapêutico. É diversificada e permite chegar à origem do problema. Utilizo-a essencialmente na resolução de quadros depressivos e de ansiedade que são muitas vezes comorbidades em casos das patologias acima referenciadas.

A terapia, na boa verdade, além de tratar, vai ensinar as pessoas a se focalizarem na saúde em vez da doença, arranjando boas estratégias para lá chegar.

Através desta técnica, é possível colocar o paciente num estado de perfeito relaxamento onde o foco é ele mesmo no seu interior e onde todo e qualquer estímulo serve para o acalmar, deixando-o no estado apropriado para operar mudanças. Deste modo, o terapeuta apresenta-se como um facilitador na relação terapêutica, que empreende um trabalho de cooperação na viagem interior do paciente. Esta poderosa técnica permite também “voltar atrás no tempo”, não somente à adolescência ou à infância, mas também até à vida intra-uterina, ou ainda mais atrás… Assim, num transe hipnótico há flexibilidade completa na recuperação das recordações que constituem a nossa história pessoal e com isso resolver os problemas que o conduziram à situação atual.

Normalmente, quando as pessoas recorrem às nossas clínicas já correram vários tratamentos, várias tentativas de solução que não lhe deram respostas. Penso que este é um comportamento muito cultural… Vêm procurar esta terapia como uma espécie de último recurso de salvação.

O poder do pensamento: saúde ou doença?

Cada vez mais, a terapia que utilizamos é procurada por dar respostas breves e com soluções mais imediatas. Nos dias de hoje, as pessoas vivem a um ritmo acelerado e necessitam de respostas assertivas. Quando as pessoas procuram a terapia para remediar o problema, o tratamento pode ser um pouco mais demorado. Devo acrescentar que, embora numa escala menor, também aparecem, felizmente, pessoas que querem conhecer-se melhor e potencializar as suas capacidades e competências. Neste caso, a terapia tem um sentido diferente mas com o mesmo objetivo, procura-se ajudar o paciente no seu auto-desenvolvimento, prevenindo, desta forma, as doenças e ir ao encontro da sua excelência. Neste caso, o tempo da terapia é mais curto.

Devo acrescentar que, embora numa escala menor, também aparecem, felizmente, pessoas que querem conhecer-se melhor e potencializar as suas capacidades e competências.

Os problemas mais comuns

Os mais frequentes são derivados dos conflitos intra e inter-relacionais com o seu meio envolvente (consigo próprio, família, parceiros amorosos, amigos e trabalho) resultando em quadros de ansiedade gerados, por um lado, pela débil comunicação entre os seus pares e por outro pela exigência que a sociedade atual impõe ao indivíduo, conduzindo-o a uma elevada competitividade e desgaste emocional, degenerando em agorafobia, perturbação de pânico, fobias específicas e sociais, perturbações obsessivas compulsivas, entre outras. Outro resultado são, também, as queixas resultantes das perturbações de humor, sendo a depressão a mais nominativa. Não podendo deixar de referir que os estados de ansiedade podem levar a deprimir, assim como, quando uma pessoa está deprimida pode levar a estados de ansiedade. É um círculo vicioso.

O poder do pensamento: saúde ou doença?

O trabalho terapêutico

Costuma dizer-se que cada caso é um caso, não é mesmo? Pois eu costumo dizer a cada um dos meus pacientes que necessito de 50% da sua colaboração, porque sem isso, sozinha, com os meus 50% não faço nada. É um trabalho de equipa, no qual eu me envolvo totalmente, e que espero que o meu paciente também o faça. Quero com isto dizer, que o sucesso terapêutico depende também do empenho individual de cada um, da sua interação com a terapia, e acima de tudo, com o comprometimento consigo mesmo, como forma de responsabilização no seu tratamento. Deste modo, não poderei dizer de forma concreta o número de sessões. Contudo, quando se fala em terapia, é necessário que se compreenda que se trata de um processo terapêutico, e mediante as variantes do problema em questão são necessárias, pelo menos, 6 sessões para obter  alguns resultados. Existem exceções, podendo ser menor ou maior o número de sessões, naturalmente.

Acima de tudo, a mensagem que quero deixar é: Devido à sua experiência de vida, é normal que tenha codificado experiências dolorosas que o levam a ter pensamentos que o conduzem a estados patológicos mas, a boa noticia é que os seus pensamentos não são alheios a si, são seus! É você quem está no comando da operação e é possível modificar essas codificações para outras, muito mais eficientes, que o conduzam a estados de saúde e, isso, é um treino mental que está nas suas mãos. Lembre-se, que os especialistas, técnicos de saúde existem para o ajudar nesse caminho.

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica “Curar com a Hipnoterapia” no programa A Tarde É Sua
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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