«Tinha medo de morrer durante a noite» – Ansiedade

Quando atendi, pela primeira vez, a Ana percebi que este pensamento obsessivo já a acompanhava desde muito nova. Aos 17 anos teve uma depressão e o pensamento obsessivo aumentou.


Foi em Tomar que, durante a sua adolescência, ocorreram uma série de mortes misteriosas de crianças. Segundo Ana, num curto espaço de tempo, várias crianças morreram durante a noite sufocadas, de forma inexplicável. Na sequência destas mortes, Ana teve uma depressão, porque aos 17 anos achava que podia morrer durante a noite. “Durante seis meses não dormi, porque tinha medo de morrer durante a noite.” Ao longo de três anos da sua adolescência pensava que poderia morrer a qualquer momento.

O caso clínico:

Ana tinha medo de morrer de congestão.


“Deixei de fazer uma série de coisas porque, na minha cabeça, podiam provocar a minha morte. Por exemplo, não ia para terras em que não houvesse hospital. Não andava de metro em Lisboa, não bebia água depois do jantar. Eliminei uma a uma as causas possíveis de uma morte repentina, menos esta questão da congestão. A ideia de que posso morrer por congestão nunca mais me deixou.” Não come gelados, não bebe água, sumos ou refrigerantes gelados por ter receio que lhe parem a digestão. “Acordo com fome, mas tomo banho primeiro e depois é que tomo o pequeno-almoço.” Sempre adorou praia, mas não consegue tomar um banho de mar. “Considero-me uma pessoa esclarecida. Sei perfeitamente que se a água estiver quente ou tépida não existe qualquer risco de haver uma paragem de digestão depois de comer uma sandes, porque não existe choque térmico. Mas o meu medo é irracional.”

E acrescenta: “Não tomo o pequeno-almoço para poder entrar na água. Permaneço na toalha, o que é muito chato, porque fico só a torrar ao sol. Por essa razão, apesar de adorar praia, deixei de ir.” Ana sente tristeza por limitar a sua vida e por não usufruir de um dia de praia livremente com a filha, Matilde. “Adoro água e tenho saudades de nadar à vontade. A minha melhor amiga tem uma piscina da qual nunca usufruí. Fico a imaginar se alguém agarra em mim e me manda para dentro da piscina… Não sei o que poderia acontecer, mas na minha cabeça morro com uma congestão. Um mergulho inesperado iria causar em mim um sofrimento horrível.”

Ana explica que fica com tremores e ataques de pânico. “Reajo como um bicho, perco a noção da realidade e da educação. Uma amiga derrubou um pingo de água na minha cabeça e eu reagi com grande agressividade, até um murro lhe dei.”

Não sei o que poderia acontecer, mas na minha cabeça morro com uma congestão. Um mergulho inesperado iria causar em mim um sofrimento horrível.

Ana sente a mesma coisa em relação à filha. Pensa que ela pode ter uma congestão quando entra dentro de água depois de comer. “Uma vez estávamos com outras pessoas na praia e deixei-a entrar na água, mas sofri muito. Até chorei.” Matilde também não pode comer gelados nem beber refrigerantes gelados quando está na presença da mãe. “Quero ser livre e deixar a minha filha livre desta minha paranoia, como lhe chamo. Por isso, peço a ajuda da Dra. Rosa Basto.”

O tratamento

Trabalhei com ela durante várias sessões e utilizei diversas técnicas para perceber a origem da ansiedade que causava este pensamento obsessivo. Fiz regressão na idade e ela recordou que com três anos fazia xixi na cama (enurese) após o nascimento do irmão. A enurese esteve presente até ao início da adolescência. Quando o irmão nasceu, Ana sentiu a falta da mãe, porque esta teve de estar mais atenta ao outro filho, devido a pequenas doenças que ele foi tendo. No decorrer da regressão, no nascimento, a Ana teve morte aparente. Quando lhe pedi que me dissesse, em transe hipnótico, como se sentia a bebé, respondeu que o corpo e os órgãos estavam parados como se tivesse uma congestão.

Fomos mais longe e regrediu a uma outra vida onde se vê com três anos a brincar com os irmãos. De repente, sentiu uma dor muito forte na cabeça e teve morte súbita. Quando lhe pedi que dissesse o que sentia no momento dessa dor, referiu que estava fraca e que ia deixar a mãe e os irmãos. Também disse que o corpo ficou frágil e os órgãos pararam. As perdas estavam muito presentes e os sintomas no momento da “morte” eram corpo frio e os órgãos parados. Mas o mais significativo foi deixar de ter as pessoas queridas.

Tinha medo de morrer durante a noite - ansiedade

O medo de morrer esteve sempre associado às perdas.


Foi aí que compreendi que a origem estava naquela vida que ela não teve oportunidade de viver. Na casa cósmica, como lhe chamamos na técnica, pedi-lhe para visitar o espaço entre vidas e tentar perceber os padrões repetitivos na vida atual. As perdas nesta vida eram o padrão repetitivo. Aos três anos com o nascimento do irmão sentiu a perda da mãe, o sentimento de perda por não ter continuado com os estudos, aos 17 anos quando deprimiu e sentiu medo de morrer, o sentimento de perda nas relações amorosas e por aí fora… O medo de morrer esteve sempre associado às perdas. Durante a regressão perguntou no espaço entre vidas qual a sua missão e a resposta que recebeu foi “aprender a ser feliz” e quanto à lição de vida foi simplesmente “crescer”. Crescer aprendendo a amar-se sem medo de perder, crescendo aproveitando cada momento da sua vida.

Ao compreender de onde vinha esse medo, a mente liberta a carga emocional recalcada e permite-se experienciar situações novas com novos significados. A partir dessa sessão tudo mudou. Almoçou comigo e comeu melancia fria após a refeição, e bebeu água fria sem medo. Depois levei-a a tomar o pequeno-almoço para depois tomar um banho de piscina, e correu tudo pelo melhor.

Ao compreender de onde vinha esse medo, a mente liberta a carga emocional recalcada e permite-se experienciar situações novas com novos significados.

Foi fantástico! Agora, o mais importante é que a Ana aplique as estratégias que aprendeu para controlar a ansiedade, mantendo uma forma de pensar mais calma e tranquila. Hoje, a Ana está muito mais livre, sem o medo que a aterrorizou durante anos e anos. E sentir que contribuí para a felicidade de mais uma pessoa é, para mim, uma alegria enorme. Parabéns à Ana Búzio!

Testemunho Ana Búzio

Dra. Rosa, obrigada por tudo o que fez por mim e por me permitir voltar a acreditar que posso ser uma pessoa livre e sem medo. A minha maior alegria é estar bem para educar a minha filha a ser uma menina feliz sem estes medos irracionais. Agradeço igualmente à equipa da TVI por terem sido pessoas com um coração enorme e me terem ajudado tanto. Sou uma nova mulher, mais feliz e de bem com a vida!

Sobre o autor

Dra. Rosa Basto

Licenciada em Psicologia
Hipnoterapeuta
Criadora do método Terapia Diamante®
Presença quinzenalmente na TVI com a rubrica de Hipnose Clínica no programa “A Tarde É Sua”
Palestrante e Formadora nacional/internacional de Hipnose Clínica e PNL e Terapia Diamante®
Rubrica: Hipnoterapeuta dos Portugueses na Revista Zen Energy


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